Aprendendo a dizer não

Posted on 22/03/2015

 

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Quantas vezes em nosso dia a dia nos deparamos com situações onde temos vontade de falar não mas acabamos por dizer sim. Aprender a dizer não é uma das principais matérias de um curso da faculdade da vida chamada maturidade. Pois para sabermos qual o momento apropriado para falar não precisamos possuir um bom discernimento, sabedoria e

muita auto-confiança. O problema reside em dois tipos de padrões comportamentais. O primeiro padrão é a necessidade de se obter o aplauso externo para conseguirmos nos sentir amados. O segundo padrão trata-se da tendência que o ser humano possui em se apoiar no outro a fim de buscar uma muleta para os seus problemas. Esses dois padrões se retroalimentam mutuamente. Assim um indivíduo do primeiro padrão possui a tendência de atrair pessoas do segundo padrão, por exemplo: o amigo que vira o motorista oficial da turma, que busca e traz todo mundo para poder se sentir aceito; a mãe que possui problemas conjugais com o marido e vai se esconder atrás dos filhos a fim de não enfrentar os
problemas; o colega de trabalho que não quer se desenvolver no emprego e sempre se faz de vítima para sensibilizar os demais colegas, para que esses executem o seu serviço. Enfim, se pararmos para refletir poderemos encontrar inúmeras situações cotidianas onde poderíamos ter dito não. O problema maior é quando acabamos por nos auto-violentar, ou
seja, quando começamos a fazer coisas que absolutamente não tínhamos a menor vontade de fazer. Isto é muito ruim, pois quando temos este tipo de sentimento é porque o outro tinha condição de realizar a tarefa. Situações mais graves vão surgindo quando em razão das mazelas dos outros acabamos por nos endividar ou atraindo problemas de saúde, aqui o
nível da auto-violência se torna muito maior e as conseqüências são altamente danosas. De fato aprender a falar não é algo difícil, afinal sempre há um vínculo emocional. E sentimentos como culpa ou remorso surgem no momento em que pensamos negar um favor a um ente querido. E para piorar existe um padrão social que cobra sacrifícios em favor
daquele que amamos. Claro que existe momentos onde os sacrifícios são necessários, mas é bom refletirmos antes de agir. Dizer não pode ser um ato de auto-respeito e amor-próprio. E mais dizer não pode contribuir para que uma pessoa acomodada descubra em si novos potenciais, pois como diz o ditado popular A necessidade é a mãe da virtude. Às vezes precisamos passar por situações dissaborosas para descobrirmos um novo potencial. Enfim, quando conseguimos
não sucumbir as nossas próprias carências o discernimento melhora e ganhamos força lidar com a vida. A carência é o carro-chefe de um trem onde nos demais vagões vem a culpa, o remorso e o ressentimento. Dizer não para as nossas carências é dizer sim para a nossa auto-estima e confiança. Dizer não a um pedido esquisito de um ente querido é dizer sim
para nossa sabedoria e discernimento. A mensagem deste breve texto não é que devemos sempre dizer não para os outros. A mensagem deste texto é que devemos em primeiro lugar dizer sim para tudo aquilo que nos agrega e não para tudo aquilo que nos desagrega.

Autor: Teodoro Malta Campos